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04 de Janeiro - Dia Mundial do Braille

História do Braille


O braille foi inventado no século XIX, por Louis Braille. A história de Braille começa quando ele tinha três anos de idade. Ele estava brincando na oficina do pai em Coupvray, na França, e acabou furando o olho com uma das ferramentas. Ele recebeu a melhor atenção médica possível na época, mas isso não foi o bastante: o olho sofreu uma infecção que logo se espalhou para o outro olho, deixando-o totalmente cego.

Na época, havia um sistema de leitura para cegos, que consistia em arrastar o dedo ao longo de letras em relevo. Com este sistema, no entanto, a leitura era dolorosamente lenta, e era difícil discernir pelo toque entre letras relativamente complexas do alfabeto. Por isso, muitas pessoas tinham dificuldade em dominar o sistema de letras em relevo.


Em 1821, o Dr. Alexandre François-René Pignier, professor de Louis Braille, convidou um homem chamado Charles Barbier para palestrar a uma sala de estudantes no Instituto Nacional para Jovens Cegos, em Paris. Barbier tinha desenvolvido um sistema de “escrita noturna” para militares usando pontos em relevo, depois que Napoleão solicitou um sistema de comunicação que os soldados pudessem usar mesmo no escuro, sem fazer qualquer som ao ler.


O sistema de Barbier era muito complexo para os militares, e foi rejeitado. No entanto, acreditava-se que ele poderia ser útil para os cegos, o que levou o Dr. Pignier a convidar Barbier para demonstrá-lo.

O sistema não era muito bom para leitura e escrita, pois era excessivamente complexo, usando uma matriz de 6×6 pontos para representar letras e fonemas. Além disso, a matriz grande impedia que você pudesse senti-la de uma só vez com a ponta do dedo – era preciso movê-lo.


Ainda assim, Braille ficou inspirado e, quando adolescente, começou a trabalhar na ideia. Ele pegou um pedaço de papel, uma lousa e uma caneta, fazendo buracos e tentando encontrar algo que funcionasse.

Em 1825, Braille, nos seus 16 anos, achava ter encontrado algo ao mesmo tempo funcional e superior ao sistema existente (de letras em relevo). Seu código original consistia em seis pontos dispostos em duas fileiras paralelas; cada conjunto de linhas representava uma letra. Isso era mais simples do que o sistema de Barbier, e ainda versátil o suficiente para permitir até 64 variações, o suficiente para todas as letras do alfabeto e pontuação.

Isso também era facilmente adaptável para outros idiomas que não o francês. E o mais importante: em vez de identificar uma letra inteira, era muito mais fácil sentir a disposição dos pontos no papel, tornando a leitura para cegos significativamente mais rápida e mais fácil.


O Dr. Pignier ficou satisfeito com o trabalho de Braille, e incentivou seus alunos a usar o novo sistema. Infelizmente, ele foi demitido do cargo de diretor, devido à sua insistência em usar o sistema de Braille, em vez do sistema de letras em relevo – que era o padrão da época.


No entanto, o próprio Braille se tornou professor no instituto e ensinou o código para seus alunos. Em 1834, aos vinte e cinco anos, Braille foi convidado para demonstrar os usos do seu sistema em uma exposição em Paris, estimulando ainda mais a sua popularidade. A esta altura, Braille também havia publicado um livro sobre como usar o código. Ele foi escrito com letras em relevo, mas incluía a escrita em braille para demonstrar seu uso.


Apesar disso, o Instituto Nacional de Jovens Cegos ainda se recusava a adotar oficialmente o sistema de Braille. Foi só em 1854, dois anos após a morte de Braille e oito anos após uma escola em Amsterdã adotar seu método, que a antiga escola de Braille finalmente passou a usar o braille, e só porque os alunos exigiram a mudança. Até o final do século XIX, o braille foi adotado em quase todo o mundo – com exceção dos EUA, que só o fez em 1916.


Aprenda o Alfabeto




Esse sistema é escrito por uma combinação de seis pontos por célula. Cada célula é composta por duas linhas verticais de três pontos. Uma única letra pode ser representada por um a cinco pontos. Além disso, existe um padrão no alfabeto braille que corresponde à ordem das letras no alfabeto.


As primeiras dez letras do alfabeto (A-J) são compostas exclusivamente por combinações diferentes entre os quatro pontos superiores.


As dez letras seguintes (K-T) são compostas pelo acréscimo de um ponto inferior esquerdo às dez letras anteriores. Dessa forma, quando o ponto superior esquerdo (que geralmente representa a letra "A") vem junto de um ponto inferior do mesmo lado, a célula passa a representar a letra "K". Para a letra seguinte, "L", basta adicionar esse mesmo ponto à célula que representa "B". Esse padrão se repete até a letra "T" do alfabeto.


Para fazer as últimas cinco letras – exceto "W" –, basta adicionar dois pontos inferiores às dez letras iniciais do alfabeto. "W" é uma exceção, pois não existia no alfabeto francês, língua na qual o braille foi criado.


Aprenda a Pontuação


A pontuação também é feita pela combinação desses seis pontos em uma única célula. Uma célula composta por um único ponto inferior direito indica que a letra seguinte é maiúscula. O ponto final é formado por um pontinho inferior direito e outros dois pontos na segunda linha. Além disso, possui a mesma configuração da letra "D", mas fica uma linha abaixo. Da mesma maneira, o ponto de exclamação é formado a partir da letra "F" e fica posicionado em linha inferior.


Para indicar que a palavra toda está em maiúsculo — não apenas a primeira letra —, a palavra vem depois de dois símbolos que representam a caixa alta. Ou seja: são duas células, formadas por um único ponto inferior direito cada.


Para escrever um número, use o símbolo dos numerais em braille. Ele é representado por três pontos na coluna direita, juntamente com um ponto inferior na coluna esquerda (formando um "L" invertido do alfabeto inglês). Esse símbolo é seguido pelos outros que correspondem às letras de "A" a "J": se um "A" vem depois do símbolo numérico, passa a ser "1". Por sua vez, um "B" se torna "2", e assim sucessivamente, até a letra "J", que representa "0"


Aprenda as contrações



Como as letras em braille ocupam muito mais espaço do que o alfabeto convencional, é normal usar contrações para reduzir a escrita. Existem 163 combinações adicionais que reduzem palavras como "por", "bem" e "não" a uma única célula. Da mesma forma, palavras que começam com consoante, como "braço" e "fruta", possuem seus próprios símbolos. Também é comum usar abreviações para palavras que começam com vogal, como "alvo" e "isca".


Escrevendo à mão



Adquira os instrumentos necessários. Para escrever braille à mão, você vai precisar de uma punção, uma reglete e um papel cartão, vendidos em muitas lojas virtuais.


A punção é um equipamento pequeno, geralmente com poucos centímetros de comprimento. Uma das pontas traz um cabo, enquanto a outra é feita de um metal afiado. Essa parte de metal é pressionada contra o papel para criar os pontos em relevo que formam o alfabeto braille.


O reglete é usado para manter os pontos devidamente espaçados dentro das linhas. O acessório tem duas peças de metal, do tamanho de uma folha de papel, presas a uma dobradiça. De forma geral, ele é capaz de escrever 4-6 linhas em braille.


O papel cartão é um tipo de papel mais espesso. Quando se aplica a punção contra a folha, ela se dobra em vez de rasgar, criando uma saliência.


Fixe o reglete sobre o papel e use a punção para marcar sua superfície. Coloque o papel entre as duas peças de metal do reglete. A punção tem várias linhas de células com seis furos cada. Pressione-a contra os orifícios do reglete para fazer pontos de acordo com os símbolos do alfabeto braille.

Vire a página. Basicamente, ao pressionar os pontos, você vai escrever na parte de trás da folha. Por isso, tem que usar a punção para escrever da direita para a esquerda — como se estivesse escrevendo em uma imagem espelhada. Depois, basta virar o papel para fazer a leitura normal, indo da esquerda para a direita.


Datilografando em braile

A máquina de escrever braille da marca Perkins é um equipamento muito parecido com um datilógrafo normal, mas possui apenas seis teclas. Compre também um papel pesado para colocar na parte superior do dispositivo.


As máquinas de escrever braille podem chegar a custar mais de R$8.000,00, e são vendidas em diversos tamanhos e formas. Algumas são projetadas para serem usadas com uma única mão, enquanto outras exigem apenas um toque suave.


Conheça as teclas


A tecla maior, localizada no centro da máquina de escrever, é uma barra de espaço. As três teclas de cada lado dessa barra representam os seis pontos que constituem o alfabeto braille. Para digitar uma célula, mantenha pressionadas as teclas em todos os pontos necessários ao mesmo tempo. A que fica elevada no canto esquerdo serve para trocar de linha, enquanto a que fica no canto direito é a borracha.


Há também uma alavanca de plástico curvada na parte superior da máquina, que serve para retornar ao ponto inicial de cada linha, bem como eixos aos seus lados, que são utilizados para rolar o papel dentro da máquina.


Geralmente, os pontos que constituem as células do alfabeto braille são representados por números, em que o ponto superior esquerdo é "1", o esquerdo central é "2", e o inferior esquerdo é "3". Da mesma forma, a coluna da direita vai de "4" a "6". Ou seja: dessa maneira, o teclado da máquina de escrever é estruturado em: 321 pontos na esquerda (espaço) 456 pontos na direita.


Atualmente


Para os padrões de hoje, as máquinas de escrever são relativamente complexas e obsoletas. Hoje em dia já existem equipamentos eletrônicos mais inovadores que realizam a mesma função. Com dispositivos como a Mountbatten Brailler e a Perkins Smart Brailler, é possível até salvar documentos eletronicamente. Além disso, elas possuem suporte de áudio e exercícios de capacitação.


Os modelos mais novos de computadores da Apple permitem que o usuário programe um teclado ou até mesmo a tela de toque do iPad para servir como uma máquina de escrever. Nesse caso, um teclado QWERTY normal pode ser reprogramado para ter as mesmas funções do equipamento inicial.





Fatos bônus:

Hoje em dia, os livros para cegos são normalmente escritos em braille grau 2. É um sistema que combina letras e as substitui por palavras. Por exemplo, o sinal para “n” representa “não”, “abx” representa “abaixo”, “ag” significa “alguém”, e assim por diante. (No inglês, a letra “y” representa “you”; “b” representa “but”, e assim vai.) Em alguns aspectos, o braille grau 2 lembra as abreviações que usamos na internet, ajudando a acelerar a leitura, e economizando papel nos livros em braille.


O braille por extenso, ou grau um, é a escrita letra por letra das palavras. Esse grau é o mais fácil de se aprender, porém é o mais lento para ser transcrito e lido; além disso, os livros em grau um são mais volumosos. Ele é raramente usado.


Louis Braille também desenvolveu um sistema conhecido como decapoint. São pontos em relevo que se assemelham a letras, tornando mais fácil a leitura por pessoas cegas. Ele mesmo ajudou a desenvolver uma máquina que faria o decapoint mais fácil de escrever: ela se chamava “rafígrafo”, e foi desenvolvida com a ajuda do mecânico Pierre-François-Victor Foucault no final dos anos 1830. O decapoint, ao contrário do braille, nunca vingou.


Fontes: WikiHow e Giz Modo Brasil

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